[(A menina) e (os lobos)]

De ANDRÉ DE LEONES.

[Furto, disseram. A ala feminina do xadrez detonada quando da última rebelião. Colocá-la com os outros, com os demais. Com os (homens). Disse ter (quinze anos), ninguém se preocupou em verificar. A princípio tímida, encostada nas grades, o chão, procurando um canto. Nenhum canto. Alguém perguntou: Tem cigarro? Não tinha cigarros. (Uma mão pesada no ombro, um puxão de cabelos.) (Minha mãe vem me buscar.) Dois, dez, (quase) trinta dias. Nenhum pedaço de parede onde riscar. Dois, dez, vinte homens. Não contou nenhum. Um ou outro tentava conversar. (O que você fez?) Não respondia, não dizia nada. Não dizia: (Eu não fiz nada, não). Tremendo em pé, os dentes batendo. (Uma, várias mãos, todas pesadas). No banheiro, um deles. (Gritou e gritou). Dois, dez, (quase) trinta dias. Às quintas tinha folga. Às quintas eles tinham visitas. Às quintas eles tinham em quem meter, deixavam-na em (((paz))). Nos outros dias: (não). Nos outros dias: (sim). Eles diziam: (Tu vai ficar com fome?) Aí ela ia com eles. (Ia com eles). Eles iam com ela. (Iam por ela, (em através), nela.) Uma vez levada ao banheiro. (À força, gritou. Raiva porque ninguém (ouvia).) Apanhando o tempo todo. (Queimaram seu pé com papel higiênico enquanto dormia. Tocaram fogo.) Um policial veio buscá-la. (Minha mãe veio me buscar?) Um policial veio buscá-la e a meteu numa viatura e levou ao cais da cidade e disse: (Some, desaparece). ((Um peso enorme sobre, em.)) Quinze anos, ninguém deu a mínima. (É melhor você sumir do mapa, entendeu?) Tremendo, os dentes. (((Nada, eu não fiz.)))]

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