A caminhonete

De JOÃO PEDRO.

foi há muito tempo, quando eu ainda era uma menina e vivia com meus avós em uma casa, meio pau-a-pique, meio alvenaria, na beira de um riacho que passava pelo quintal. na frente dava com uma estrada, na época de terra batida, hoje em dia não sei mais, era um capãozinho de casas como aquela nossa, todas no meio do nada. como de vez em quando passasse alguns viajantes por ali, servíamos refeições em casa, tinha uma placa na frente, dizia refeição 5 dinheiros da época, não me lembro mais qual era. um dia eu estava lá trás, dependurando as roupas no varal, e uma caminhonete entrou pelo lado da casa e estacionou ali, quase derrubando um dos bambus que sustentava o cordão do varal. fiquei assustada, uma pela aparição barulhenta e duas pelo tamanho do carro, você deve entender, eu via fusquinha, brasília às vezes, mas aquela ali eu nunca tinha visto. desceu um homem, que tinha uns modos meio bruscos, me olhou com algum desprezo, coçou as partes íntimas, é, o pinto, coçou o saco, cuspiu no chão, bateu a porta com força e entrou na casa. eu fiquei ali, com uma calcinha molhada na mão e outra no corpo. não sei explicar não, mas aquilo me excitou, aquele homem me fez sentir umas coisas, vocês entendem. fiquei com esses pensamentos, dependurando as roupas com a cabeça no vento, na caminhonete… depois de um tempo ele saiu da casa, foi pro meu lado.

eu tava aqui sentada na varanda, na minha cadeira de balanço, o almoço já tava pronto no fogão, fogão de lenha, eu tava aqui acertando uns pontos, pairecendo um pouco. ouvi um barulho alto e forte vindo dos lados das fazendas, de um carro que vinha pela estrada, e o barulho foi se assomando e vi a caminhonete grande e bonita que passou por mim levantando poeira e entrou pelos lados da casa, o senhor é que não deve de ter me visto. então ouvi ele desligando o motor e batendo a porta e fui pra dentro e quando ia entrando na cozinha pra dar na porta do quintal ele apareceu e disse com uma voz baixa e educada que queria uma refeição. aprontei os talher e o prato com feijão grosso, arroz, carne cozida e alface, servi um copo de água da torneira, que desce da bica pelos canos de bambu que meu finado construiu desde lá de cima da serrinha, e fui pra porta do quintal, era uma caminhonete bonita, grande, devia caber umas vinte sacas de feijão amontoadas, minha neta ia botando as roupas pra secar, menina boa, não precisava se preocupar com ela, pegava, lavava tudo, botava no varal, recolhia, esquentava a brasa, passava, drobava e guardava, sem resmungo nem nada.

minha bola tinha caído no quintal da vizinha, meu chute foi forte e a bola passou por de cima da cerca de bambu e foi cair lá. como sou magrinho assim, passei por um buraco que tem na cerca, quase no riacho já, mas quando passei encontrei um carrinho ali na argila, um que eu tinha perdido faz tempo, mais de ano, era uma caminhonetinha amarela e passei de felicidade que até esqueci da bola. mas logo vi uma caminhonetona vermelha chegando na vizinha, nunca tinha visto antes carro daquele tamanho, nem ali nem em outro lugar.

ele chegou e ficou quieto, encostou na caçamba, tirou um maço do bolso da camisa e começou a fumar, jogou o fósforo no chão. fazia uns ruído enquanto fumava, devia ser a digestão, pensei. tentei disfarçar, mas depois de dar uma tragada ele olhou pra mim e me perguntou o que tava olhando, tremi, não sabia que fazer, meus braços foram pra um lado, minhas pernas pra outro, meu corpo ficou no mesmo lugar e meus olhos, ai meus olhos, ele viu que tinha olhado pra ele, pro pinto, é, e sorriu. chegou mais perto, pro lado da porta da caminhonete, abriu a porta e se sentou de lado no banco com os pés no assoalho.

nem passou cinco, dez minutos e o moço tinha acabado de comer, deixou o dinheiro em cima da mesa, me pediu a licença pra que ele passasse pela porta, eu agradeci o cliente, porque não é todo dia que aparece um homem rico e educado como esse e porque fui muito bem educada pela minha finada mãe, deus-a-tenha, que era uma moça bonita muito direita, puxou pra bisneta, ou o contrário, mas é, ele saiu e ficou fumando ali fora e fui pra dentro lavar a louça.

o senhor da caminhonete bateu a porta com força e entrou na casa onde morava uma senhora e a neta. a senhora era meio carola, gostava muito de rezar, ia pra igreja e a menina ia junto, mas a menina era santa-oca isso sim, dava umas saidinhas sem ela ver nos sábados de noite, porque ali perto tinha um baile e ela gostava de ir lá, era um salão feito de bambu e chão de terra batida e eu ficava espiando pelos vãos, porque era um pouco mais novo, tinha medo que as meninas rissem de mim quando meu irmão mais velho zuasse com a minha cara na frente de todo mundo, mas não era mais criança não, não é isso. o carrinho, por exemplo, eu nem brincava mais de carrinho faz tempo, gostava mesmo de jogar bola e também de carro de verdade, e de outras coisas, mas só gostei de ter achado o carrinho porque tinha perdido. e gostei mais da caminhonetona mesmo, essa aí eu devia de ter algum dia, quando fizesse um dinheiro com o gado, porque eu ia ser era fazendeiro. o senhor da caminhonete devia de ser fazendeiro. ficou ali fumando uma cigarrete com pinta de fazendeiro, imaginei que ele tinha umas cinqüenta cabeças, ou melhor, duzentas cabeças! a menina ficou ali no varal no meio das roupas e eu aqui no meio do meu gado, na argila.

ela era esposa de um fazendeiro da região. conheci os dois quando ele começou a comprar umas coisas na minha loja, coisa pro gado, pros cavalos, ela ia junto dele de vez em quando. um dia ela foi sozinha, a mando do marido, comprar uma sela pro potro novo da fazenda. antes disso a gente ficava se olhando só, nunca trocava palavra. mas naquele dia ela tava é bem falante. era uma senhora bonita, disse pra ela, ela ficou vexada, mas cá comigo acho que era mais fingimento mesmo. agradeceu, pagou e quando dei o troco perguntei quando iria ver ela de novo. ela olhou pra porta de relance, voltou a cabeça e me disse pra ir lá na fazenda dela depois de dois dias, pra fazer uma visitinha. ela tava só esperando eu perguntar, danada, fiquei animado, passei o dia e o seguinte ansioso, acordei no combinado, coloquei uma roupa chique, tomei um banho bom e fui pra lá. quando ia chegando na casa grande ela já saiu na varanda, acho que foi por causa do barulho desgraçado que a caminhonete faz, já era hora de trocar, pensei vexado. parei ali em frente dela, sai com cuidado pra não fazer errado e ela pediu pra eu entrar, olhando pros lados. disse que o marido foi pra longe num leilão de gado e ia demorar por lá e tinha dispensado os empregados, tinha inventado que era dia santo e que eles fossem de folga. ela ficou ali parada no meio daquela sala grande, com um vestido branco, toda branca, não sei o que me deu mas agarrei ela e comecei a beijar ela e beijamos por um tempo bom. quis jogá-la no sofá e comer ela ali mesmo, mas quando eu estava com a mão na calcinha e ia tirar fora, ela disse pra irmos pra dentro do quarto. era o quarto do casal, uma cama alta e grande, de madeira boa e escura, a cortina tava fechada, mas revoava com o vento porque a janela tava aberta. virei ela de costas, tirei a calcinha, levantei o vestido e comecei ali. ela apoiada numa cômoda de madeira, que tinha uma santa em cima, o que me deixou encabulado. mas depois de um tempo, ela parou e foi fechar a porta e, de costas, começou a tirar o vestido e o sutiã, eu aproveitei a situação pra botar a santa dentro da gaveta. aí sim me senti mais à vontade e mal vi ela se agachando na minha frente, terminando de tirar minha calça e começando a me chupar, gostei. mas depois de um tempo tirei ela dali, joguei na cama e aí foi embora a tarde inteira.

eu quis é ir ali, abrir a calça dele e começar a chupar, mas tinha vergonha, tinha a vó, já tinha brincado um pouco com uns garotos das redondezas, mas nunca um homem daquele. fiquei parada feito boba ali na frente, sem conseguir tirar os olhos dele por mais que tentasse, e fui ficando cada vez mais calorada, o sangue me subia na face e me descia, minha cabeça ia pensando as coisas que eu nem sabia, só ia vendo.

fiquei ali apreciando a caminhonetona, bonita, com umas grades do radiador grandes e prateadas, o vidro espelhando as nuvens do céu, ele deveria fazer sucesso com as mulheres com a caminhonete, mas imagina, se ele faz sucesso, imagina eu que sou mais bonito que ele, vixe maria! ele ficou por ali, não devia de querer perder o tesouro do automóvel de vista, porque era um tesouro, e a menina também devia era de tá impressionada porque ficou ali olhando, esqueceu até do varal, mas eu fosse ela também ficaria ali, vai saber o que eu faria pra dar uma volta na caminhonete, imagina, dirigir, ou ir na caçamba, com o vento batendo, ah, imagina, mãe-de-deus!

terminei de lavar a louça e o homem tava lá fora ainda, tinha sentado na caminhonete e ligado o rádio, acho que tava querendo fazer a digestão. a menina, que moça educada, ficou ali pra fazer companhia pro moço, mesmo depois de já ter acabado seu serviço. ai, essa menina devia de casar com um homem bom, rico, crente em deus, santo antônio havia de me dar essa graça, pensei, decidi em rezar pra ele, mas não tinha santo antônio em casa, um dia até pensei em comprar um, mas o dinheiro não dava e acabei comprando umas roupas de dentro que a menina tava necessitada. decidi que ia rezar na igreja, ficava uns dez minutinhos dali, e com maior esforço o santo enxerga melhor nossa prece. gritei ali da porta que ia sair pra ir na igreja, mas nenhum dos dois ouviu, devia de ser por causa do rádio, então saí no quintal e gritei de mais perto, o homem respondeu com um gesto e percebi que minha pequena tinha ficado vexada, ia ficar ali sozinha com um moço, era moça de respeito e não queria ficar sozinha, mas era moça boa e não tinha pobrema, não.

sentei na beira do regaço, não me importei com a argila molhando minha bunda, acostumo, pensei, e encostei na cerca, o rio passava na minha mão direita, era como uma prainha de argila, de vez em quando eu mexia num girino, de vez em quando o sol batia na água e vinha me dar no olho, mas eu conseguia enxergar, fiquei olhando a caminhonete, sonhando, até que o senhor fazendeiro disse alguma coisa pra menina, não ouvi, mas vi que ele deu um sorriso daqueles sorrisos danados que a gente dá quando pensa nessas coisas de sexo, eu já sabia dessas coisas já, a cara dela eu não vi porque ela tava meio que de costas pra mim, mas ela foi-se pro lado dele e agachou atrás da porta, que estava aberta, só conseguia ver o rosto do fazendeiro porque a janela da porta estava aberta, e via por baixo que ela tinha se ajoelhado, sei não, fiquei confuso, ela podia estar rezando alguma coisa, vai saber, esse povo que vai muito pra igreja tem umas idéias, eu até ia quando era criança mas quando tomei consciência avisei que não ia mais não, porque eu sou assim, quando resolvo, resolvo, e não tem diabo nem deus que me tire a idéia da cabeça. mas às vezes gosto mais é das idéias que o diabo me fala, e pensei, ela tá é chupando o danado! já comecei a ficar incomodado ali, eu já tinha passado da idade de não sentir nada no corpo, já sentia, e até fazia, essas coisas, queria ir lá ver, eu tava meio que por detrás de umas árvores, achei que dava pra chegar mais perto e fui me espremendo pelos troncos.

no caminho já aproveitei pra ir conversando com santo antônio, dizem que é bom ir preparando o santo, que é meio gente, meio deus, não como jesus, não, mas tem umas idéias de gente, às vezes são teimosos feito o… deus-me-livre-guarde; fui dizendo que a menina era boa, alembrando os modos dela, costurava as bonequinhas que teimavam de rasgar entre as pernas de tanto brincar de casinha, nasceu pra casar, pra cuidar da casa, do homem, e o sol ia batendo na minha cara, assim do lado da mão, e a sandália começou a machucar, mas com mais dor melhora o milagre, né.

ela quis ficar de quatro, eu peguei nas ancas dela, peguei forte na cinturinha lisa e branca, e continuei, ela disse sobe um pouco, quase não acreditei, fiquei duro feito o diabo, entendi o que ela queria e meti mesmo, apertado e tudo, até doía, mas acho que doeu mais nela, que gritou, me apertou mais, aí eu gozei rápido. esperei um pouco pra passar a fraqueza das pernas e sentei na cama, ela sentou, inclinou pro meu lado, botou a mão no meu pau, me deu um beijo no pescoço e cochichou, é religoso, é? não entendi a pergunta, fiquei vexado, disse que não era não e comecei a me vestir. ela entrou no banheiro e fui embora. saí da casa abotoando a camisa, entrei na caminhonete e peguei a estrada de terra, era quase uma hora até a loja, pensei, e me bateu uma fome, então vi uma placa refeição a 100 metros, vi a casa e fui pelo lado pra parar na garagem, mas não tinha e acabei parando atrás, onde tinha uma menina com um vestidinho caseiro florido que me deu umas idéias, sabe como é, transar é que nem feijoada, você come mas mesmo que teja cheio quer mais, mas a fome ficou mais forte com essa idéia de feijoada e entrei na casa. depois de comer a comidinha bem ruim da velha, quis fumar um cigarro pra tirar o gosto da boca, fiquei ali encostado na caminhonete e percebi que a menina ficava olhando pro meu pau, achei que tinha esquecido a braguilha, olhei rápido quando ela tirou os olhos, mas tava fechada, então perguntei o que ela tava olhando, ela ficou vexada, entendi o que ela queria, sou ligeiro pra essas coisas. mas eu precisava de pelo menos uns cinco minutos, então fui pra cabine, liguei o rádio e fiquei ali, imaginando como seria comer aquela menininha.

então a vó gritou alguma coisa lá da porta, eu fingi que não escutei, fiquei branca, será que ela tinha desconfiado de algo, foi chegando mais perto e disse que ia à igreja, eu mal conseguia olhar pra ela nem pra ele, só pra um prendedor vermelho que tinha no chão. ela saiu e fiquei ali, mas depois de alguns segundos já tinha esquecido da velha e voltei os olhos pro homem e não sei por quê dei um sorriso pra ele, foi o que bastou pra ele começar a abrir a calça e dizer pra eu chupar ele. não vi nem ouvi mais nada, ajoelhei no chão, não sentia meus joelhos, nada, só queria sentir ele na minha boca, ia ficando cada vez mais molhada e ele estava duro, e molhado também, o que me deixou mais molhada ainda, senti um cheiro de mulher nele, mas isso me excitou ainda mais, e lambi o pau dele e chupei, chupei mesmo.

a velha gritou algo, nem dei conta porque achei que ela queria cobrar mais, mas no final ela queria mesmo avisar a menina que estava indo pra igreja, é agora, pensei, ela abaixou a cabeça, devia tá pensando a mesma coisa, e quando a vó foi embora levantou a cabeça e me deu um sorriso danado, safada, estava pensando mesmo, também dei um sorriso danado, abri a braguilha e falei pra ela me chupar. não esperou nada e já estava de joelhos, se lambuzando toda, sabia o que estava fazendo.

mas de repente me deu uma culpa de querer empurrar o destino goela abaixo de deus, nosso-senhor sabe o que faz com a gente, e o caminho de deus é o melhor pra gente aqui na terra, então pedi perdão, com muito sol na cara e calo no pé, e chegando na igreja fui ajoelhar e pedir pra deus me perdoar, ali na casa dele, com o joelho doendo, ele me perdoou, não é que ele falou comigo como a gente fala, mas deus fala por uns ouvidos que a gente tem no coração, que é a casa de deus na gente.

eu sentia o coração dele bater forte e rápido pelas veias do pau, que pulsava toda vez que eu lambia, e ia até a garganta, o que me dava um pouco de ânsia e me fazia ter umas reações que eu não controlava; não estava ligando pra isso, chupei até ele gozar, mas eu queria gozar também.

a menina devia é tá com medo da vó chegar, devia de tá com o coração disparado, que de vez em quando tremia, mas era gostoso quando ela tremia, não sei por quê.

quanto mais perto eu ia chegando, e ia ouvindo uns gemidos, mais meu coração batia rápido, mais meu pinto ficava duro e mais minha perna tremia.

resolvi não ficar muito na igreja, já tinha ouvido o perdão do nosso-senhor e voltei pra casa, queria ver minha criança de novo, perdoar por querer deitar meu juízo em cima do juízo do céu, rezar com ela pra que deus escolha um bom caminho pra ela, porque isso a gente pode rezar, porque é como elogiar deus, assim ele ajuda a gente, ele sabe o que é melhor, ele que colocou a gente aqui.

eu, pra falar a verdade, queria tá lá, chupando ou sendo chupado, tanto faz, porque já fiz as duas coisas mesmo com um amigo, e gostei das duas, gostei de chupar também, na verdade chupava mais e ele gostava de esporrar em mim, eu também gostava, a gente fazia mais que isso, mas isso não quer dizer que eu não gostava de menina, gostava, mas com meu amigo era só pra sentir umas coisas no corpo, com as meninas não, tinha menina que me dava ciúmes, tinha menina que me dava nervoso, suador, acho que era paixão, com ele não, a gente era gente grande brincando um com outro assim, e eu já era gente grande pra chupar o fazendeiro também, não que eu negaria a garota, mas ela também não tinha caminhonete.

eu cheguei em casa e fui direto procurar minha neta, queria dar um beijo na menina e ela tava lá fazendo companhia pro moço ainda, que menina educada, os dois se dariam tão bem, pensei comigo.

de qualquer jeito, a menina sabia mesmo o que estava fazendo, e fazia melhor que ninguém, fez até eu gozar e continuou até me deixar limpinho, acho que ela gozou também, por que vi que de tão molhada até o chão tinha os líquidos dela, quando vi isso foi logo antes de gozar, mas quando vi não teve jeito, foi o maior da minha vida. decidi que não podia mais viver sem aquilo, não podia mais. a velha chegou e foi a conta de ficar recomposto de novo, mas acho que ela percebeu algo porque fez uma cara de interrogação e eu não perdi a oportunidade, a senhora dá a mão da menina em casamento, perguntei.

 

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João Pedro, 24 anos, mineiro de Itajubá, é advogado em São Paulo. Mantém o blog QSEDQ.

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