Cláudia

De DANIELA MENDES.

“Não, não é isso!”, a menina dizia. “O que eu sou é cientista!”. E titia que era teimosa feito uma mula tentava a todo custo convencê-la com outra vocação. E quanto mais Cláudia tentava ser cientista mais a mulher se convencia que a menina era artista: “Porque se tirar a luz do azul ele não vai ficar preto, né? E se tirar a luz do cinza ele não vai ficar azul-marinho”. Daí o dedinho da tia! “Eu não falei? Tem percepção poética!”. Isso não era bonito, a menina dizia quase chorando, é ciência. Mas Tia tetê achava mesmo necessário terminar aquele papo no museu, ou, melhor dizendo, no castelo que ficava no caminho da escola.

Uma vez lá dentro, a mulher continuou a falar bobagens. E a menina decidiu não ouvir porque estava suficientemente convencida. Mas para não se cansar mais, Cláudia resolveu fingir que escutava olhando atentamente para tudo que via. Tinha figuras bem coloridas que pareciam uma fotografia, coisas também bem bobinhas que ela já tinha feito com massinhas e outras tantas que, com tinta guache, Cláudia melhor desenharia. No entanto, foi o quadro das meninas que eram metade gente e metade guarda chuva que provocou aquela grosseria irresistível. “Que coisa boba! Tão bonitinhas, mas com só uma perna de bengala e saia formada pela parte do pano da sombrinha!? “. Eu quero ir embora, saiu Cláudia ultrajada a caminho da saída.

Triste e cansada, Tia Tetê, enfim, quase desistiu. Quase, pois Cláudia, ao ver na calçada uma moça mutilada de perna única, gritou: “Olha, Tia Tetê! Que linda!”.

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