A boneca

De DANIELA MENDES.

Quando se torna costume a criatividade se jogar da janela toda vez que o amor adentra a porta, é sinal de que é o momento de aprender a se casar. Nem que seja para ver aquela cara… Aquela do velho ranzinza que jurava que você não cederia um lugar no ônibus para ele – só porque o seu cabelo está verde tal e qual o da boneca limãozinho da coleção moranguinho. E você coça o dedo com o anel, não é a toa que lembra punheta. E não é à toa que chamam de lotação. Frida Kahlo aleijou-se numa assim. Ela sabia casar. Sim ou não? Tic Tac, pelo menos o pneu podia furar! Juro que mais cinco minutos na minha vida me ajudavam. Um dia apenas de 24 horas e cinco minutos, este é meu desejo fantástico. E a mãe não nos ensina a casar com alguém que não tem um carro para lhe buscar. Nem com o cara que parece o Bon Jovi. “Obrigada”, o cara com jeito de office boy me oferece seu lugar. Estou com cara de quem passa mal. Jaqueta de couro no verão e uma noiva de cabelo verde. Pintei o cabelo para nunca me encontrar nesta situação e olha o que acontece! A vida não é fácil. Lá está o próximo ponto. “Sim, vamos para a Alemanha!”, eu direi? De repente a gente descobre o que é medo… Quando não se sente mais dentro do seu próprio corpo e não se sabe onde é que foi parar o resto de nós. Porra! A gente tatua um capeta no corpo pra saber que ele é seu e não adianta nada!

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