De linhas e omoplatas (II)

De DHEYNE DE SOUZA.

(Clique AQUI para ler a parte I)

Ele geme entre seus dentes uma promessa de não prometer, ele pede que lhe toque, que lhe sopre, que não argila e morada. Ele insiste nos teus sonhos, no teu banho, na tua pele encharcada. Ele aponta que o ralo, que o falo, que o passado é perigo, risco, vício, que a cidade é castigo. Ele lhe protege o cenho, o antro, o ventre, o silêncio com o que não sabe dizer, diz. Ele lhe contorna omoplatas com as palavras pisadas de uma janela de pó. Mas persiste na guarida, na chuva, na terra, em que via, que não lhe permite estada. Ele toca nos teus ombros uma distância da chave, e em ausência de nome cinge nuvens nos lençóis, e o teu corpo ele esculpe, invade, queima, arruaça nas sombras do claro-escuro, ele pende uma vidraça. Ele escreve no teu hálito um sonho, um bonde e uma cara com que se cobre o porvir. E o céu cai no vermelho, o negro no colo, o esteio no que ela ele assistir.

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