Seis mi, ladrão!

De DANIELA DOS SANTOS.

Faz, parceiro?
Era o Antônio pro Timothy.
Sempre. Pode mandar sua mais fraca.
E era a espadilha. O Serginho ficou de cara.
Só saio assim lascado porque sou estudante.
Tinha um rei, um ás e um valete. Foi o valete.
Truco. Foi o Timothy.
Corre, Raimundo! Foi o Serginho.
Sete copas. Foi o Raimundo peitando.
Sou senador, pô! Ficar correndo de qualquer truquinho, não.
Nem gritou, nem bateu na mesa, nem nada. Aquele carequinha.
Zap! Foi só isso.
Antônio ganhou felizinho os três tentos.
Sempre é válido dar apoio a quem já tem apoio suficiente.
Solta aí, parceiro. Pode mandar a mais fraca que essa eu faço.
A despeito do conselho e da harmonia estética, Timothy quis nem saber.
Baixou de novo: Zap!
Como é que é isso?
Nem no partido Raimundo tinha visto algo assim. E olha que ele é do Demo
cratas!
Nem vou mais jogar nada nessa mesa não, rapaz! De que adianta?
Adianta sim.
Serginho inflamado.
Pelo menos nós estamos tentando lutar contra a desigualdade, a miséria, a in
justiça, a desesperança, a pobreza, a fome, a maldade, a inconstitucionalidade a corr
Opa! Foram todos em uníssono.
Joga logo, perda de tempo pro raio que o parta.
Porque estava bruto: ás.
Como ninguém pediu truco, Antônio só ganho um tento.
Como já tinham caído dois zaps na mesa, Raimundo, com seu tino para negociação disse:
Truco! Truco como o caríssimo colega não tem outro zap.
Seis.
Claro que isso é um blefe. Tenho experiência nesse tipo de coisa. Nove, safado!
ZAP!
E Antônio com um sorriso no rosto. Nove de uma vez, num senador, não é todo dia.
Mas o Serginho bem queria botar seu rei pra lutar contra o terceiro zap do reitor, mas não encontrou apoio na base.
Raimundo, indignado por seu mínimo desempenho, politicamente decidiu que quebraria o sigilo do reitor, que chamaria um croupier para verificar o baralho todo, que exigiria que todos jogassem de mangas curtas, melhor ainda, de regatas.
Enquanto Raimundo submetia sua proposta a votação, Serginho ocupava o apartamento fucional destinado a encontros. Para proteger o patrimônio público, a polícia federal foi acionada e chegou ao local para recolher as provas um mês depois do ocorrido. Levaram lençóis e cuecas sujos, estojos de maquilagem, HDs de computadores e disquetes com nomes obviamente suspeitos.
Depois disso, ninguém mais ouviu falar no caso, mundial e efemeramente conhecido como o Escândalo do Zap Triplo.

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