De linhas e omoplatas (III)

De DHEYNE DE SOUZA.

(Anteriores: III)

Ela conta os postes erguidos nas pernas, alcança montanhas, vê brejos. A água um rebanho de tempo, sulcando seu ventre. O mundo uma janela que esconde o pó. Penteia os pêlos negros, pelos dedos escorrem as fés. Alcança uma ao tornozelo, dança com ela ao pé das veias. Ele escorre nas suas costas e depõe ali estátuas, praças, jasmins de ouro, capelas, paredes, escadas, funda um céu. Sobe-as, as vértebras silentes. O ar à nuca ressona, os moinhos fenecem. A fé escorre. Do ralo, dos cabelos, o aparelho acorda. Nos ombros suas babilônias despejadas e rugas.

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