De linhas e omoplatas (IV)

De DHEYNE DE SOUZA.

(Anteriores: IIIIII)

Cortou uma lâmina da sua boca, a sua chama, a trança que envolve o fogo. Nenhuma lágrima no sofá.
Sobre seus ombros pisavam gravetos, histórias gentis, murmúrios mal vistos, cavavam o som.
Milhares de linhas de riscos de pálpebras fantasmas.
Soou a campainha, mas já não pensava em abrir. Sempre à espreita na janela.
As crianças chegavam da escola, os cães em alvoroço, números milhares de rostos gritando, todos.
Sentia uma infinidade de grãos nos ouvidos, como uma caça, uma massa, uma rebelião de esperas.
A única palavra que caía, exígua, era partir.

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