Fronteiras

De SOFIA STRANSKY.

la, Sofia, cuspia pra fora sua ira. Esgotada com este cara de linhas. Sua voz, o jeito que suas veias ficam verdes. Quando come, faz barulho, um eco. Um eco porque é vazio de Sofia. Aquela comida mastigada na sua língua geográfica, na sua papila valada, enchia mais espaços do que ela. Tem o cara, elementos de tantos cantos, mas de Sofia, tem um grosso amarelo de bile, de quem vomita com suas linhas. Não passe por aqui, esta pia é a minha. Este pedaço do tapete. Aqui, pague mulher, multa por transpasse. Esta área, mil vezes, me pertence. Você me suja, Sofia. Ouviu? Limpe toda sua merda e fique nos seus limites. Ouviu? Você já não cansou de matar as plantas, Sofia? Tire a mão da planta, tira já, sua harpia. Sua louca, sua pessoa inabitável. Sua sua.

Não temos plantas, temos musgos, temos mofo, temos rusgas. Nossa casa não é nossa. Tem coisas suas, tem coisas que você acha que são minhas. Você me presenteia com um bracelete de rubis e diamantes. Tem noção do quanto isso me dói? Saber que depois de meses, você não faz uma puta idéia de quem eu sou? E fica riscando estas linhas limitadas, me cortando os joelhos. Decepando minhas válvulas, minha vulva. Eu vulgívaga. E você me crucificando me exigindo o olho. Não tenho mais olho. Tenho um embrulho que nubla, que embaça na sua presença. Quando seu pau entra em mim, e as linhas se atrapalham, temos algo, e sabe o que é? O quadro do horror. Quando seu membro no seu maior estado, entra no meu maior buraco, e mesmo assim, continuo uma puta esburacada, sim, não temos nada.

Ela, Sofia, faz sua mala. Taca o bracelete na privada. E o cara está lá de pau duro deitado na cama dele. Jogando porra para o teto. A porra toda gozada voando para áreas que ela jurava que eram dela.

Tocou a campainha no vizinho. Jovem judeu ortodoxo fixo. Sofia entra, joga sua mala semi aberta no sofá. Por dias, por noites, não se comeram, se esparramaram.


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