[Ao som de alguém masturbando alguém]

De ANDRÉ DE LEONES.

me fode?,

eu peço a ele, messiaen sobre as nossas cabeças em nossas cabeças entre nossas vértebras, ele está triste, deitados no grosso tapete da sala, o tapete que fora de nosso pai, herdado por ele há cinco anos e meio quando o nosso pai foi surpreendido por um assaltante na saída do cine cultura, domingo, em plena praça cívica, e era domingo, domingo como hoje, ele fora assistir a uma cópia restaurada de o desprezo e esboçou (disseram) esboçou alguma reação, domingo e eu peço a ele

me fode?,

domingo setembro goiânia, deitados nus no grosso tapete da sala, ele está triste, não está nada bem, não está aqui, não quer estar em lugar algum, e fica quieto por um longo tempo, quieto enquanto eu o masturbo, os olhos fechados e a respiração descompassada, eu o masturbo e digo

henrique,

o nome dele, eu digo o nome dele, eu digo

goza, henrique,

eu digo

pelo menos isso,

ele está triste, nada bem, o corpo estendido ao lado do meu enquanto eu o masturbo e beijo seu pescoço a orelha esquerda o peito a barriga a virilha esquerda o escroto e me preparo para recebê-lo, eu deito a minha cabeça, eu fecho os olhos, eu abro a boca, eu estou pronta, ele não vem, meu braço dói, ele não virá,

eu desisto,

e me deito novamente ao lado dele, ele permanece com os olhos fechados, o pau ainda duro, duro e seco, e então ele diz

desculpa

e eu respiro fundo, exausta, o braço dormente, agora também seca,

morri,

ele diz e parece de fato morto, o corpo estendido ao lado do meu no grosso tapete da sala enquanto messiaen nos abandona e bate no teto, pronto para nos deixar por completo e se perder janela afora no burburinho do trânsito da assis doze andares abaixo feito alguém que salta pela janela, feito um suicida, e é adeus, e henrique diz

o disco acabou,

sim, eu penso, o disco chegou ao fim, messiaen pulou pela janela, meu querido, doze andares até o silêncio total, concreto, chão, e eu concordo

pois é, acabou

.

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