Uma canção de natal ou Uma versão de dedos

De DHEYNE DE SOUZA.

Suas mãos acomodaram-se assim, mas não se conheciam. Admitiam-se entrelaçadas, uma sobre a outra. Adquiriram a empáfia, diriam, de porem-se uma verso no anverso da outra. Suas linguagens advertiam as luzes de que o mundo não estaria de volta. E de que o mundo, nas preces, estaria escondido numa fita de cetim. E de que as unhas, relegadas ao dorso, cantariam canções de apego. E de que o dorso, num trenó de fatos, correria o mundo. As luzes justificavam as bolas de que a neve é um líquido com um casaco de peles. E que as peles são frações das gotículas dos dedos. E que os dedos, entrelaçados, reconheciam o toque. E que o toque, trote de anseios, cairia de ilusão como uma bola de neve. Mas que nasceriam cacos, de luzes e mundos e neves, bolas de vidro em árvores de diferentes verdes e plásticos, águas nas luzes de diversas nuvens e intervalos, bocas nos pratos de diversas misérias e línguas. E assim, estranhas ainda e ainda de toques, acordariam das nuvens de pós as palmas e dorsos, entrelaçadas numa canção de inverno no verão, numa versão de dedos.

.


%d blogueiros gostam disto: