[skype]

de Nereu Afonso da Silva

Para Christophe Leroux

Agora há pouco quando estava na frente do computador, esbarrei no mouse e inadvertidamente avancei com o cursor pela tela clara do skype até atingir seu nome atrelado a um minúsculo ícone cinza, em cruz.

“Desconectado; visto pela última vez em 02/02/2009; 17:15:05” era o status burocrático de sua ausência.

Súbito senti a sua falta e, junto com ela, uma fatia da gramática do meu mundo esmorecendo.

Pobre skype: desconhece a aridez de alguns acontecimentos; desconhece o não-retorno de um certo tempo; desconhece nosso ano de 1995; desconhece o ano passado: a viagem que não fizemos; desconhece o horror de uma metástase, o teor da palavra “fim”; desconhece que a expressão “visto pela última vez”, nesse caso, vem ventada pelo bafo da irrevogabilidade; desconhece – máquina-estanque! – que uma fenda aflorou em mim.

E desconhece profundamente que, por mais que eu tente, jamais estará cerzido, neste dedinho de prosa, o desremédio de minha saudade!


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