As Voltas do Amor

Daniela Mendes

Toda vez que ia chupar laranja se concentrava. A casca tinha que sair como uma espiral sem interrupção. A magia não podia ser quebrada. A laranja era chupada depois com prazer ou desconforto dependendo do resultado. Segurava uma ponta e começava a girar a casca repetindo o alfabeto. A B C D E… Arrebentou? Então seu futuro marido terá a primeira letra do nome “E”. Não importa se a letra mudasse a cada laranja chupada, afinal o destino era caprichoso para a minha mãe. Mesmo já viúva do meu pai ela continua a girar a casca. Não pretende se casar de novo, mas gosta de apostar no meu pai toda vez que vai chupar uma laranja. Quando não dá a primeira letra do nome dele modifica as regras. Porque o amor é também, entre muitas coisas, subversivo.


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