Um Homem Pensa Seus “Nós” …

Tania T. S. Nunes

No vai-e-vem do mar do pensamento sem amarras, um homem acorda e pensa em seus “nós”. Sonha, delira, vê-se na praça de Ouro Preto. Mais ao longe, sabe que através do Atlântico, mesmo sendo um negro, sem barbas e sem dentes com cordão de duas bolas aos pés, seu navio um dia cruzou aqueles mares. Olhar na linha do horizonte. Ele acorda as cordas do violão. Passado enredado no corpo. Cicatrizes curadas sem gazes. Condor em pleno mar. Cão que late para a lua sem coleira. Tropel de cavalos em carruagem. Memória e pensamentos embrulhados como tecidos em fios. São sempre salvação em um mar de ondas sem navio. São emaranhados de um escravo que hoje joga a rede neste mesmo mar e… mesmo sem vara para pescar… sem peixe… continua todas as noites em sua rede a delirar… desfiando as contas do seu colar… contando o que o silêncio não quer narrar…


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