A árvore-de-papel e a escultura de pedra

Susana Fuentes

Origem, Austrália. A árvore-de-papel é rosa terra, ou, pode-se dizer: salmão ou pêssego. Aquela cor de fina transparência se destaca entre o verde da mata, no jardim. Bem próxima, está uma escultura que de forma surpreendente adotou a mesma cor. Como ela chegou a esta cor, segue um mistério, mas é como se a natureza daquela escultura determinasse: estarás em relação com a árvore da qual te colocarei próxima. Farei de ti espelho. E ali estava a árvore-de-papel, cor de rosa sapatilha de balé, por sua causa o destino pêssego da escultura de pedra.
Se ali estivesse o pau-brasil, a escultura teria se tornado vermelha, ou se estivesse o eucalipto, passaria a cobrir-se em tons de prata. Isso me comoveu profundamente. Uma escultura que se deixa impressionar tanto. Na forma de um cogumelo gigante, sua borda interna sanfonada abre-se como um livro. Se ela pudesse, partiria com os ciganos que andaram a percorrer o jardim. Distrai-se assim, acha lindo quem dança, tão cheio de si. Como andou eufórica nesses dias. Chamaeleon camaleoa. Também as rosas-loucas, família hibiscus mutabilis, grandes flores, mudam de cor num dia, do vermelho para o branco. Perdem apenas para Silver Star e Dádiva: rosas lilases. Elas têm um perfume que é cheiro de lavanda, não é o perfume de rosas. O que as torna tão especiais: esta pitada de surpresa no nariz de quem cheira.


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