[comédia da angústia em frase única]

de Nereu Afonso

Por que cargas d’água, meu deus, fui deixar o frio de chumbo do Finistère francês para rodar dias e dias até estacionar entre serras, sol e galos, nessa quinta da Sesimbra portuguesa, se a noção de morte – não tal qual aparece nas expressões morte da civilização, morte do desejo, morte da criatividade, morte da esperança, mas tal qual aparece em minha futura, certa e intransponível ausência – é de longe a coisa mais poderosa, senão a única, com seus mistérios e pestes, colapso e fuligem, que, onde quer que eu vá, insiste em me achincalhar?


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