Autodeterminação

Daniela dos Santos

Um lado, um livrinho colorido e aberto. No outro. Palavras presas, engastalhadas em algum lugar: Dentro do cano da piscina, família de pererecas. No meio das folhas e dos grilos d’água, no escuro molhado do cano da piscina, uma família de pererecas nunca tinha visto o sol. Com um cutucão de vara na terra, um bolo gorducho de folhas e pererecas listradas. Vomitadas de dentro do cano branco marrom de terra. Um amolecimento do meio dos pés e das mãos dobra os dedos, depois sobe, enrijece os mamilos com um nojo, a vagina besuntada com ele (pois é, vagina. buceta, não, que não é pra essas horas. não é órgão sexual, agora, é só parte do corpo, que nem pé, mão e cabelo no sovaco). O bolo de pererecas listradas querendo sair pela boca. Fecha os olhos, a garganta, balança a cabeça pra engolir o montão frio. Livrinho aberto e colorido, livrinho aberto e colorido, livrinho aberto e colorido…

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