Hexercícios íbridos

Dheyne de Souza

Ao som de Für Elise, de Beethoven.

Capítulo primeiro

Apertou o interruptor para baixo. Sem luz.

Caminhou até o banheiro, acompanhando ainda o mosaico do Sonho, aquele único, parece, Sonho, insinuando-se todas as noites. Como se para obrigá-lo a pensar, puxá-lo para o passado, ou para um futuro

– de todo pretérito (que é) imperfeito.

Água fria.

Dois dias para o próximo sabonete. A última vez de compras se esqueceu de que era páscoa e desejou ter ímpeto – como lhe ocorre rara e ocasionalmente – para empurrar todas aquelas pessoas como todos os dias na estação de ônibus deseja ora morder os que vão displicentemente à frente ora os que atropelam inoportunadamente atrás.

Sentar-se todos os dias. Todos os dias sentar-se. Isso lhe parece uma razão razoável para que acalme a indignação já domesticada de 30 min em pé no ônibus, não necessariamente parado. Pensam que respeita os mais velhos, pensa que é algum tipo de exercício físico que fará com que a vida dali um tempo doa menos por fora.

– Pensar no seu egoísmo já é uma forma de cura.

Devia ter lido isso aos quinze, ou ouvido aos vinte e dois, mas finge que ignora o porquê da citação.

Crê-se mau.

Qualquer coisa com café.

– Não tem bolo hoje, moço.

É segunda. Imagina que come todos os dias o pão amassado de ontem. Ri-se do seu ridículo, crê-se divertido.

Chora por antecipação, peculiar à ansiedade, quando vê-la descendo a escada. Aquele sorriso acompanharia dali todas as outras sombras burlantes.

– A vida, como um romance, não teria porque sem ter a mais bela, viva ou morta.

“De toda forma irreal”.

Capítulo do meio



Faz sexo como um embrião de azulejo. Ocorre-lhe esperar um pouco mais.

Último capítulo

ite, missa est
Era uma vez Miracídio e Miraculina.
enquanto ele mira o céu vomitando pragas ela água as plantas rezando pelos seus filhos e por todos os nomes do mundo.


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