Mergulho

Andrea Mello

Não teve tempo de olhar nos olhos, mudar de idéia, clarear. Quando viu já havia mergulhado. A mão do outro sustentando o peso do corpo náufrago, parecia isca, anzol jogado ao mar. Alguma coisa impedira, um nylon qualquer, um nó na cadência do segundo. O corpo por um fio tênue, aterrorizado, suado – suor de mão na mão do outro por onde a vida escapava. A mão estendida, o esforço de compreensão, o peso do corpo outro no parapeito da janela, ou seria trampolim, boca, beira de abismo em noite tempestuosa, sem fim, eterna.

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