O choro de Kafka ou A queda de Kafka ou A cidade soterrada de Kafka ou Kafka, sobretudo

Dheyne de Souza

 

Parece às vezes, são muitas, na verdade, que é um trânsito o que se engarrafa no meu suor, transpiro ruídos e eles vêm dessa cidade astuta, e saltam pelos meus poros prédios, estacas de um silêncio arrepio quando nem frio é ainda. E o que eu faço com essa febre de decisões sábias e oportunas que vez ou outra, na verdade, outra vez, escorrem do meu urro contido escandido qual rima nas quinas dos meus joelhos, cotovelos, ombros, calcanhares, onde dorme insone o nicho das minhas mentiras que de tão puras, antes, tão dóceis, coitadas, tão lassas, valem muito mais moralmente que o escuro de minhas verdades que nem sei, na verdade que não é, sombra? Mas eu juro por toda esperança daqueles que pecam na pureza da fé, eu juro com todo franzido das rugas que enquanto eu digo que está tudo bem e não há motivo algum sequer resquício de mágoa de perda de cor eu acredito que deveras não há. por que. parar. Quando aterrissa qual um foguete discreto, no que pode ser imperceptível a multidão de estrondos da guerra, na superfície do dentro, congestionado nos olhos esse cisco incansável, nas mãos essa lasca de unha que nunca acaba, esses dentes procurando caçar outro canto que roer a alma, esse passo bêbado e tinto, essa nuvem vesga entre os rostos, esse tremor que não suporta o instinto. E quando enfim caio numa calçada na rua no meio do tempo dos outros encharcado de ódio e amor afogado de azulejos e mãos e me perguntam meu nome meu plano a minha família eu só consigo dizer que

o nome não serve pra nada

o nome não serve pra nada

o nome não serve


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