Histórias Possíveis

AUTORES

ANDRÉ DE LEONES nasceu em Goiânia, Goiás, em 1980, mas foi criado no interior daquele estado, em Silvânia. Não é formado em nada. É autor do romance Hoje Está um Dia Morto (Record, 2006), vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2005, e atualmente participa do projeto Amores Expressos. Colabora com diversas publicações.

DANIELA DOS SANTOS sempre preferiria ter feito outra coisa, ter escolhido o contrário, ter dito outra coisa de si mesma. Mas há coisas que são certas: nasceu da Cyda, em Silvânia, foi registrada no dia errado, nunca soube respirar direito, viveu em Anápolis e hoje habita uma zona rural. Nunca soube escrever. Está imensamente feliz por estar com o nome no mesmo lugar que esse tanto de gente grande

DANIELA MENDES: Vou de Sísifo a Prometeu com uma desesperança aguda e covarde demais para ser pessimista. Espero sempre o final do dia para reconhecer a disposição de um hoje, para ver se o primeiro sentimento do despertar confirma os fatos tal qual se fosse a astrologia. Ou, na melhor das hipóteses, para também contemplar minhas metamorfoses… Nas horas vagas sou toda imaginação, que se me tiram fico em pedacinhos. Assim sou feito um livro de vidro, que quando jogado no chão, tem as letras desprendidas umas das outras de tal forma que não sobra palavra nenhuma a que recorrer. Então é só dormir que vão retornando as palavras como moléculas assanhadas que criam um novo mundo. Restaurada, respiro aliviada e menos triste. Americana moderna, guardo como um camafeu herdado minha Paris Imaginária. Vez em quando percorro o Quartier Latin com Cortázar, Miller, Beauvoir e uma saia rodada. Não importa quantos tênis americanos eu terei, ou o quanto de rock escutar, ou quantos amantes nietzschianos me enlouquecerão. Minha essência moderna está grudada em mim como uma aveia de uma louça suja que se cimenta ali. Contraditória? Muito! Não consigo ser diferente, é mais forte que eu, juro. Eterna noiva do poeta, devota de um cristianismo essencialmente feminino, estou condenada me perder num mundo que não é meu; cantarolo numa gaiola de grades de nostalgia de coisas jamais vividas, e que, no fundo, não são minhas. Eu não existo! E só tenho uma lacuna de sentido quando conto uma história ou combino palavras num poema.
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DHEYNE DE SOUZA nasceu em Cristalândia-TO, com dois anos foi encaminhada para Vianópolis-GO, onde só calava a boca diante da família escancarada quando levada para debaixo das árvores, como conta sua mãe, uma pouco mais descansada, agora. Depois de ter aprendido bordado, crochê, tricô, ler, bicicleta, digitação, vôlei, serviço público e ter sido apresentada para a sociedade por meio da famosa “festa de 15 anos”, conseguiu se mudar para Goiânia, onde permanece em por enquanto. Dheyne às vezes fala, quase nunca de forma audível e às vezes ri muito, inclusive de si mesma, inclusive é muito engraçada, embora. Dheyne às vezes é bacharel em literatura, às vezes fez letras, às vezes nada. Sempre escreve e voltou a desenhar. Não gosta de comer e seu nome é como Jane, em inglês, vulgo mulher do Tarzan. Ela faz planos, dorme e cai. Fala com vacas. Dheyne sustém um blog, Incontinência Poética, e tem uma coluna, Hexercício Íbrido, na revista Ruído Branco. Seu email é dheyness@gmail.com

HENRIQUE RODRIGUES nasceu no Rio de Janeiro em 1975. Formado em Letras pela Uerj e mestre em Literatura pela PUC-Rio, coordena projetos nessa área. É co-autor do livro Quatro estações: o trevo (1999, edição do autor), tendo ainda publicado textos em periódicos, como a revista Poesia Sempre. Participou da coletânea Prosas Cariocas: uma nova cartografia do Rio de Janeiro (Casa da Palavra, 2004). É autor de A Musa Diluída (poemas, Record, 2006) e de Versos para um Rio Antigo (poemas, infantil, Pinakotheke, 2007). Mantém o blog Fullbag.

Um dos representantes da Vila Aurora no mundo, LEANDRO RESENDE, goianiense, 32 anos, estudou jornalismo (UFG) e economia (FACH). Trabalha/ou como assessor de comunicação de várias empresas e entidades, e como jornalista na área econômica desde 1998. Primeiro no Diário da Manhã, até junho de 2001, e, desde então, no jornal O Popular, onde também publica contos e crônicas semanalmente no Magazine. Publicou, em 2005, Útero (contos) e Uísque, Valium e Uva (poemas e fotos), e, em 2007, Juceg, Uma História Centenária . Também ganhou uma meia dúzia de prêmios Sesi de literatura e um de jornalismo econômico. Teve o conto Um Morto na Sala adaptado para o cinema (curta-metragem) pelo diretor Robney Bruno. É idealizador, membro-fundador e presidente de uma entidade que ainda vai dar muito certo (Núcleo do Livro), que busca ampliar a inserção do livro na vida das pessoas. É só.

LÚCIA BETTENCOURT: Nasci num remoto dia de fevereiro. Depois cresci, entre histórias de Chapeuzinho Vermelho e Lobos Maus. Mudei de histórias, naveguei na contramão da História e fui parar em Portugal, onde casei. Voltei, pois aqui é meu lugar, mas, com a cabeça no ar, fui estudar Literatura — um vício do qual não consegui me libertar. Sonho acordada, mas durmo como pedra, insensível. A Literatura sustenta meus devaneios, e vivo meio solta, barco sem âncora, ao sabor das marés. (Lúcia é autora de A Secretária de Borges (Record, 2006), volume de contos vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2005, e mantém o blog Nadanonada.)

MARCO AURÉLIO CREMASCO nasceu em Guaraci, Paraná, em 1962. Mora em Campinas-SP, onde é professor da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp. É autor de A Criação, livro de poemas com o qual obteve o Prêmio Xerox do Brasil & Revista Livro Aberto. Traduziu poemas de Langston Hughes, Robert Lowell, Enrique Lihn, Mario Benedetti, Oscar Wilde, entre outros. Foi um dos fundadores da Babel - Revista de poesia, tradução e crítica. Santo Reis da Luz Divina (Record, 2004) foi o romance vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2003 e finalista do Jabuti 2005. Em 2007, lançou o volume de contos Histórias Prováveis (Record).

MAURÍCIO MELO JÚNIOR é jornalista e escritor. Pernambucano, mora em Brasília, onde há seis anos apresenta o programa Leituras, dedicado à literatura brasileira, na TV Senado. Escreve resenhas para o jornal O Rascunho, de Curitiba. Durante dez anos foi crítico literário e repórter de cultura do jornal Correio Braziliense. Tem treze livros publicados. O mais recente é Andarilhos, um volume com duas novelas.

NEREU AFONSO DA SILVA nasceu em 1970, em São Paulo. Formado em Filosofia pela USP, enveredou para o teatro. Foi um dos Doutores da Alegria. Hoje vive na França, onde escreve, dirige, atua e leciona para o teatro. Venceu o Prêmio Sesc de Literatura 2006 com o livro de contos Correio Litorâneo (Record, 2007). Mantém o blog Bombyx (LiTeatruras).

PRISCA AGUSTONI: Nasci em 1975, em Lugano, Suíça. Aos dezoito anos mudei-me para Genebra, onde me licenciei em Letras Hispânicas e Filosofia. Nessa cidade integrei uma companhia de teatro experimental com a qual montamos espetáculos a partir de textos de autores italianos, tais como Dante, Pasolini, Pirandello e o futurista Marinetti. Também em Genebra organizei tertulias no espaço cultural iberoamericano da cidade. Sempre em Genebra, aprendi a conviver com as várias pessoas que estão em mim e que se expressam em diferentes línguas (italiano, francês e espanhol) ou de diferentes maneiras, através da fotografia, da pintura e da dança. Nessa cidade nasci uma segunda vez. Desde 2002 moro no Brasil, em Minas Gerais, onde passei a escrever, pensar e sentir o mundo também em português. No momento leciono literatura brasileira e língua francesa na Universidade Federal de Juiz de Fora,após quatro anos dedicados à pesquisa de doutorado em Letras, na PUC-MG. Sou tradutora e colaboro com diferentes revistas literárias tanto no Brasil quanto na Itália, Suíça e Portugal. No Brasil, publiquei quatro livros de poemas, e é de 2006 meu primeiro livro de contos, A neve ilícita (São Paulo : Nankin). Também sou autora de contos infanto-juvenis, tendo publicado, entre outros, o livro O colecionador de pedras, ilustrado pelo artista plástico André Neves. Como autora em trânsito entre várias culturas, tento tecer elos que possam unir minhas experiências àquelas das pessaos que conheci, nos diferentes lugares onde vivi e por onde passei. Por isso, comigo vieram para o Brasil as leituras fenomenológicas da época da faculdade, os livros de Sartre, Camus e Pizarnik comprados nos sebos ginebrinos, os muitos livros de literatura cubana, colombiana, peruana, haitiana, ganhos ou trocados com amigos exilados na cidade francesa. Comigo vieram as noites de novembro, cinzentas, bem escuras, quase londrinas, a encobrir, por instantes, a luminosidade do céu sobre Minas Gerais.

Barriga-verde que adotou e foi adotada pelos cariocas, RONIZE ALINE nasceu em 1970 numa cidade fundada sob o signo da águas: do encontro de três rios nasceu Rio do Sul, fadada a conhecer tantas vezes a fúria das enchentes. Armou-se de muito filtro solar, saiu dos rios e trouxe sua pele muito clara – herança da mistura entre alemães, italianos e portugueses - em direção ao mar. Desde muito cedo se acostumou a ver o pai lendo alguma coisa, daí a vontade imensa de se entregar logo àquela aventura que parecia a seus olhos de criança tão prazerosa. Por causa dele, lê. Sua mãe, por outro lado, é afeita a contar histórias. Não sabe se a vida lhe presenteou com casos interessantes ou se é a sua capacidade de narrar que transforma esses casos em histórias encantadas. Por causa dela, escreve. De sua certeza em nunca querer parar de escrever, graduou-se em jornalismo. Depois fez pós-graduação em Assessoria de Comunicação e Mestrado em Relações Internacionais. Atualmente faz seu doutorado em Engenharia de Sistemas e Computação. Trabalha como professora universitária, jornalista free-lancer e colabora com o suplemento literário Prosa&Verso, do jornal O Globo. Tem contos publicados no site Paralelos e teve seu conto A senhora da primeira fila entre os vencedores do concurso sobre Luís Fernando Veríssimo promovido por Paralelos e Portal Literal, em 2004. Suas palavras, pensamentos, idéias e tais podem ser espiados no blog Palavra&Tal. Acostumada a gestar personagens de ficção, pela primeira vez está se deliciando com a arte de gestar um personagem de carne e osso.

Escritora e atriz, SUSANA FUENTES é tradutora de inglês, russo e alemão. Passeia por diferentes linguagens no campo das artes, como mímica, dança, teatro, música e circo. Doutora em Literatura Comparada (UERJ), é autora do livro de contos Escola de Gigantes, publicado pela 7Letras, 2005. Seu conto “Sumaúma e reco-reco” foi publicado pela 7Letras na Ficções n.13 . Acaba de escrever seu primeiro romance.

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